Diário de uma paixão (pedras no caminho…)
Eu senti.
Pressenti que ela também iria sentir, e sentiu-o. Então outras vezes vieram…
O mundo monocromático a que estava habituado, mas não acomodado, foi ganhando cor. Onde outrora o preto e branco prevalecia, agora tudo é mais colorido, mais vivo, mais quente, mais aconchegante. As linhas soltas que criavam figuras pálidas e sinuosas, estão agora preenchidas numa cor intensa e bela, formando paisagens elegantes e harmoniosas, onde a vida vai ganhando sentido, e o amor vai sendo redescoberto e revelado entre momentos sublimes e excelsos, desenhando acordes suaves, carinhosos e preenchidos de prazer, onde a perfeição acorda de um sono profundo, como se de um beijo dependesse.
O que antes era um sonho, tornou-se realidade.
O sentimento que aquele primeiro vislumbre despertou em mim, foi crescendo e ganhando forma em gestos e palavras, gerando monólogos, diálogos e actos cálidos dignos de romances épicos, que nem o tempo poderá apagar. Mas tal como esses, este também se revelou exigente, complicado e com contornos espinhosos.
A felicidade e deslumbramento do sonho que vivia, disfarçaram-se em medo, mágoa e solidão, como se tivesse adormecido na praia envolvido naquele abraço quente, e acordado no pico do evereste abandonado e sem qualquer agasalho. O caminho que se formava generoso, amplo, e sem qualquer encruzilhada, revelou-se esguio, tortuoso, e repleto de obstáculos por transpor.
Mas quando o sentimento é recíproco, verdadeiro, forte e sincero, nada o detém. O início e o fim, o alfa e o ómega. A resposta para todos os sonhos. O sol, a lua, um pedaço de maravilha, uma flor de primavera, uma pedra que brilha. O motivo pelo qual vivemos, e que queremos guardar para sempre. Descobrimos novos mundos, novas sensações, novos aromas, sentimentos que pensávamos não existir, e para os quais fomos destinados. O orvalho fresco da manhã, o pôr do sol caloroso e vibrante do fim do dia. A forma perfeita de uma obra-prima. Tu. Eu. Nós.
O que não nos mata, torna-nos mais fortes. As pedras que dificultam o caminho serão ultrapassadas, o “amor à última vista” prevalecerá, e renasceremos vezes sem conta até o céu cair.
“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”
Construiremos um castelo, mas uma pedra de cada vez, para que tenha a consistência perfeita, e nunca se desmorone.
Dás-me a tua mão? *