Resquicios de uma mente sonhadora

Diário de uma paixão (o binómio…)

Ela deu-me a mão, e pouco a pouco o castelo que sonhava e idealizava foi tomando forma, numa esquizofrenia desenfreada entre a imaginação e a realidade, onde a imaginação se entranhava na realidade e a realidade se esfumava na imaginação.

Perdido no centro desse binómio, encontrei a fronteira do preenchimento absoluto, onde a relatividade paira com a inerência que lhe é intrínseca, porque a perfeição não existe enquanto nos cegamos nas futilidades que nos rodeiam, como se nos escondessem o nosso verdadeiro “eu”.

Mas ela é o início e é o fim, é o alfa e é o ómega. É a resposta para todos os sonhos. É o sol, é a lua, um pedaço de maravilha, uma flor de primavera, uma pedra que brilha. O motivo pelo qual vivo, e que quero guardar para sempre. Com ela descobrimos novos mundos, novas sensações, novos aromas, sentimentos que pensávamos não existir, e para os quais fomos destinados. O orvalho fresco da manhã, o pôr do sol caloroso e vibrante do fim do dia. A forma perfeita de uma obra-prima. Tu. Eu. Nós.

Sem ela sou metade de nada. Deambulo pela vida como se o todo não existisse e a felicidade estivesse escondida na génese de um qualquer arco-íris que teima em iludir-me com as suas cores.

Coloriu o meu dia e preencheu a minha metade de nada, que se converteu na metade do todo que magicamente formamos, desintegrando qualquer flamejo de dúvida que nos queima por dentro enquanto nos consome a alma.

Pode ser dia, pode ser noite, mas a cor que me proporciona permanece. E enquanto o dia se transforma em noite, o meu sentimento por ela fortalece, como o castelo que, pedra sobre pedra, busca a perfeição em cada gesto puro e sincero de quem quer por sentir, e não por querer.

Podia encher mil páginas a exprimir o que sinto por ela e mesmo assim ela poderia não entender. Então agora não lhe darei nem mais uma palavra nem qualquer som, excepto o bater do meu coração, como se quisesse transpor o meu corpo e ficar à flor da pele só para a sentir.

Ouves?* 


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